projecto comming soon / blue bird stories

Blue bird? À toda uma liberdade precisa, onde o verbo viver, é indissociável do verbo sentir. Uma liberdade expressa metaforicamente num bater de asas. Expressa em caracteres meus, e quando fecho os olhos tenho o mundo por me ter a mim. Quando me sou. Eu. Livre, num bater de asas,como penas leves e suaves doces, de um pássaro azul. 

The Blue Bird Stories

[do diário /arquivos 15 janeiro 2017] Encontros por entre caracteres e imagens de uma Visão.

Cruzei-me com a Marta, nas páginas da visãoisão; depois de um susto provocado por mim própria a mim mesma, um tal de ‘escolho não viver’ momentaneo em formato distúrbio alimentar chamado binge eating, misturado com toma de laxantes e jejum de horas. Cruzei-me com a Marta aos 27 anos, com idade para ter juízo e sem juízo nenhum. A tomar 11 comprimidos por dia, assustada com o que se tem passado – ultimamente já não sou eu a controlar o ‘escolho não viver’…As minhas células começaram a falar e agir. Ontem o meu namorado saiu de manhã e num momento após um momento autodestrutivo senti o meu corpo a apagar. A sonolência incontrolável, a ansiedade, as taquicardias mesmo com altas doses de medição para controlar esses sintomas. Ontem antes de me cruzar com a Marta na visão, o meu namorado disse-me aquilo que eu não queria ver, (presa ainda a quando tudo começou aos 12 anos) – ‘não tens medo?’ …Fiquei parada no tempo. Como é que ele via? E eu?  Como é que não vi? Ou será que me estava a deixar ir outra vez? Ontem antes de me cruzar com a Marta na visão, vi que me estava a deixar ir. Fui fazer um teste de glicemia. E foi pior do que eu pensava. E para evitar mais químicos, prometi-me cumprir uma reviravolta de amor e cuidados na minha alimentação e forma de estar. Ontem quando me cruzei com a Marta na visão, li as gordas, mas algo me parou logo ali. A Marta escolheu viver. Estava ali estampado. Num momento em que Eu, também tinha escolhido viver. Eu a quem a vida continua a dar estás oportunidades apesar de eu brincar com elas. Ontem li a crônica completa da Marta, e senti uma dor física no peito. A Marta ontem veio como que dizer-me ‘vê como a vida não te deixa parar. Mesmo quando queres.’ Não sei porque o faz. Mas se o faz devo à vida toda a gratidão deste mundo. Toda a minha força em reerguer-me. Escolho viver. Escolho mesmo por mim, pela vida que não me deixou parar de respirar, viver.
Escolho viver, pelo exemplo que a Marta, com quem me cruzei na visão me deu. Hoje dava a Marta o sabor do guincho. Pasteis de nata no ponto, livros, uma Canon, uma Nikon, uma Leica…Mas acima de tudo se pudesse, dava à Marta uma imensidão de Ar. 

@marta_dorey 💛 furacão vida.

dos arquivos e pré oscars [5 de fevereiro. La la land – ou sobre sonhar]

Fazia falta a Hollywood um filme destes. A saber mesmo a “filme”, daqueles que não podemos partir a meio nem transformar em ‘continua no próximo episódio. Um filme que nunca faria sentido em série televisiva. Mas insistindo no verbo fazer, e cronicando em sonhos e em planisfério pessoal, fazia de fazer, talvez ainda mais falta, a mim. Apanhando-me assim, desprevenida por completo. Deixando-me a soluçar agarrada aos braços Dele, (ainda bem que estavas lá), últimos a sair da sala auditório. Eu de rímel esborratado, num eterno reminder, daqueles que são sempre esquecidos de: ‘põe máscara waterproof se vais ver um filme e em modo saída a dois!’. Esborratado o rímel, e esborratados tambem, a pincel e aguarelas, ora cores vivas, ora que esvaem, os sonhos que fui sem fazer pazes. Que tiveram passado presente e devida finitude, mas também algo que nunca tinha pensado possível – que seriam sempre parte. Assim. A cores. 
E fui sem ordem de ocorrência cronológica, mas com alguma intensidade, decrescente lógica na escolha de aqui expor – menina do mar, ali a sentir a água gelada das 6h30 em Carcavelos num bico de pato a passar a ondulação. O previlégio das tangerinas do nosso quintal. O convite que recusei para a associação portuguesa de yoga. Os pinos, os mortais, os trampolins. As tardes criança em que era só assim. Fui o deslizar dos patins. Os sapatos de sapateado com o laço de cetim. Os sonhos magia e os reais. Mas sei que os pude ser porque me encontrei hoje, no meu sonho, que escolhi​. De projecto em mão, a procurar o ponto certo de papas de aveia com laranja e canela, e pés descalços na areia molhada do meu Guincho. Do Nosso Meco. Do meu Mapa de Constelações. Fazemos as pazes com os sonhos que estão para trás e ficaram, quando nos damos uma outra chance mesmo depois de muita dor ou nãos e seguimos a intuição, o que mais gostamos, pondo pedaços de nós em construção. Novo sonho que é plano. O que nos eleva a quem somos e queremos ser. O que liberta ressentimentos de tudo o que ficou por acabar, tendo sido no final, tudo o que tinha de ser: rápido, intenso, sorriso. Caminho para chegar ao sonho a concretizar. Feita de mim hoje. Constelações e mar.

Do diário 16.02.2017 [Heroes]

Está no teu carro uma playlist de 2014, com a Heroes do Bowie, daquelas que eu fazia para as férias de praia e sol, mas daquelas que foram ficando e que quando os álbuns dão a volta, faz soltar aquele ‘ahh esta playlist!’. 

Nostálgico.

Eu que sou altamente dada aos sentidos, tenho o meu giradiscos de vinil da mente programado para por a tocar a Heroes do Bowie nos momentos doce e agri – os das saudades, os transformadores e Aqueles em que somos maiores, na alma, nos sentidos, em nós. Pelo ser(nos).

Ontem foi Heroes. Hoje é Heroes. 

A superação, é sempre dada porque há um sonhador ‘we could be Heroes just for one day’, que ousamos prolongar, todos os dias. Até nos maus. 

And I, I will been Queen.

Constelações

“o que é que mais gostas em ti?” – respondo sempre, os meus olhos rasgados, e os meus sinais em forma de constelações. Costumo dizer, que os mil sinais que tenho na face eram para ser sardas, mas acharam mais giro não me fazer igual à minha avó e à mãe, e serem antes um pintalgar de losangos e rectas – como constelações, se traçar neles linhas imaginárias.
Em pequena eram o meu passatempo no carro parado em segunda fila. Quando os adultos vão “só ali entregar não sei quê”. Olhava o retrovisor e contava-os. 83. Hoje devem ser mais.
Há um no lábio que ninguém sabe. um na linha onde nascem as pestanas e que só eu topo. E este ano como mal fiz praia estão bem esbatidos.
Tenho saudades de praia e sol. Mesmo que o meu bronze fique sardento e às manchas nos ombros e pescoço nos primeiros raios. Saudades de que a cada ano, seja ano de um: “mas eu não tinha este sinal!”. Não é só um sinal. A minha Joana, criança criativa vem de imediato sussurrar-me ao ouvido: “é mais uma estrela Joana Grande!”. E eu, Joana Grande num sorriso digo-lhe: “Somos um mapa de constelações”.

{Esta ilustração da @violetacorderosa tinha de vir para casa é lindíssima.}

E um exercício que todos devemos fazer: o que mais gosto em mim?